| Marcelo Hazan |
Por Lucca Rebelato
Hillsborough, Sheffield, 1989. Em uma partida de semi-final da F.A. Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, 96 torcedores dos reds morrem esmagados devido à superlotação do estádio. Hoje, no Frasqueirão, em Natal, cenas parecidas por pouco não têm o mesmo resultado. Um número claramente maior que a capacidade de 18 mil pessoas tentava encontrar um espaço para assistir à partida. Para os milhares de torcedores do ABC, cerca de 80% do total, apenas uma entrada. Tais fatos, somados à má distribuição das pessoas pelas arquibancadas, levaram a um desespero geral enquanto muitos eram pressionados contra o alambrado. Alguns tiveram de pular por cima das grades para sair do tumulto. Felizmente, a situação foi controlada e as cerca de 10 pessoas que precisaram de atendimento médico não sofreram ferimentos graves.
Quando finalmente a bola rolou, o que se viu em campo foi equilíbrio. No início, as bolas raramente saíam das intermediárias. Até que, aos 9 minutos, Somália recebe livre pela direita e dá passe rasteiro para Gilmar, que toca no canto, sem chances para Fernando Prass. A partir daí, o Palmeiras passou a controlar o meio-campo e esperar as brechas na defesa dos potiguares. Charles arrisca de fora, mas o goleiro Wilson Júnior, atento, manda para escanteio.
Até que, aos 24, Wendel cruza com perfeição para Alan Kardec, que sobe mais que o zagueiro e cabeceia firme. A bola toca no travessão e quica dentro do gol. A partida estava empatada, mas não por muito tempo. Aos 31, uma falta duvidosa é marcada pela esquerda. Wesley põe na área, Wilson Júnior dá um soco na bola e ela bate na cabeça de Vilson antes de entrar. Era a virada do verdão.
No final do primeiro tempo, apesar do domínio dos visitantes, o ABC deixa tudo igual em um pênalti inexistente. Júnior Timbó invade a área e se joga sobre o corpo de Marcelo Oliveira; o árbitro apita. Na cobrança, Rodrigo Silva bate no centro do gol, deslocando Prass. Fim da primeira etapa, 2 a 2.
O segundo tempo começou, mas o ritmo visto na primeira metade da partida foi deixado nos vestiários. O jogo era mais cadenciado e as oportunidades eram raras. Aos 17 minutos, o Palmeiras teve a primeira chance. Em mais uma cobrança de falta de Wesley, Vilson cabeceou e ela passou a centímetros da trave. Foi só aos 26 minutos que o placar se alterou novamente. Em cobrança de falta de Wesley Bigú pela direita, o zagueiro Lino sobe sozinho e desvia de leve. A bola passa por Fernando Prass e morre no fundo do gol.
O Palmeiras então foi ao ataque. O cruzamento de Wendel por pouco não chegou em Felipe Menezes. Já o cabeceio de Alan Kardec parou na bela defesa do goleiro alvinegro. Foi com o próprio camisa 14 que os paulistas marcaram, mas o bandeira apontou saída de bola pela linha de fundo. Logo após, dois pênaltis claros sobre Caio, não marcados pela arbitragem. Mas acabou assim, 3 a 2.
O resultado da partida é justificável, já que o Palmeiras teve o desfalque de diversas peças importantes e sofreu com a péssima atuação do árbitro Marcos André Gomes da Penha. O alviverde, mesmo com o revés, continua líder, com folga considerável para a Chapecoense, vice-líder. Já o ABC segue sua ascensão na competição, chega a 4 vitórias consecutivas e deixa o Z-4. O clube, jogando desta maneira, deve conseguir seu principal objetivo: a permanência na Série B.
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